Biografia - Cidade Negra

Músicas Cidade Negra

Cidade Negra é uma banda brasileira, originalmente de reggae, com outras influências, como soul e o pop rock. Formado por Alexandre Massau (vocal), Bino Farias (baixo) e Lazão (bateria) o grupo surgiu na Baixada Fluminense em 1986. Suas letras falam de amor e problemas sociais.

História

Início

O lugar era a Baixada Fluminense, famosa por sua pobreza e violência crescente, ali surgiu o grupo Cidade Negra. Era naquele lugar, onde sobreviver é a principal regra, que Da Gama, Bino Farias, Lazão e Ras Bernardo buscavam inspiração para levantar a voz em nome de um povo sem chance de reivindicações.

Foi tudo uma questão de fé, pois o pai de Bino tocava violão e sua mãe cantava em um coral de uma igreja local. Bino era também frequentador assíduo do lugar e foi lá que conheceu Da Gama e Lazão, e com eles formou o Novo Tempo, com uma missão simplória: tocar num festival da igreja. Em 1983 com a entrada de Bernardo surgiu o Lumiar (primeiro nome da banda), os jovens eram abastecidos pela paixão em comum pelo ritmo jamaicano, Bob Marley, em especial, pela música brasileira como Tim Maia e pelo funk e soul dos anos 1970, além de grandes clássicos do rock como Led Zeppelin. Foi dessa junção de estilos, que sairia o som único e inconfundível do Cidade Negra.

O primeiro concerto aconteceu em 1986 no Teatro Arcadia, na Baixada, como parte de um projeto musical batizado de "Terças Culturais". A mudança de nome ocorreu em função da existência de outra banda com o mesmo nome Lumiar, a partir de então a banda passou a se chamar Cidade Negra, os ensaios ocorriam na casa de Da Gama, com instrumentos emprestados. Um documentário da BBC de Londres sobre a cultura na Baixada, dando ênfase a banda, serviu de incentivo para o grupo, foi então que em 1990, a Sony Music, ainda CBS, resolveu apostar neles.

Logo depois em 1991 com Nelson Meirelles na mesa de produção, veio seu primeiro álbum, Lute Para Viver, maduro, com letras politizadas e sobre a vida e seus ensinamentos. Dele se destacou o hit "Falar a Verdade", um tiro que assaltou todas as rádios do Brasil na época e que até hoje é pedido nos concertos. O álbum também contou com a participação mais que especial do consagrado Jimmy Cliff na canção "Mensagem".

Reggae Sunsplash Festival

Já no ano seguinte o grupo atravessou fronteiras, indo tocar no Reggae Sunsplash Festival, em Montego Bay, na Jamaica; tornando-se os primeiros artistas latino-americanos a participar do evento. No retorno, o Cidade Negra voltou aos estúdios. Em 1992 veio Negro no Poder, ainda mais pesado e politizado, e talvez por isso menos aceito pela mídia. Esse foi o último disco de Bernardo com a banda, pois o mesmo saíra para seguir carreira solo.

Toni Garrido

O ano de 1994 foi um ano de transição para o grupo. Toni Garrido ex-vocalista da Banda Bel (uma banda de samba, funk e soul) substituiu Ras Bernardo nos vocais do grupo e logo mostrou a que veio, imprimindo seu toque nas novas composições. Juntamente com o experiente Liminha, agora na produção, o som do grupo tornou-se mais diversificado, mais pop, mas sem se perder das raízes do reggae e dos temas sociais.

Sobre Todas as Forças

O terceiro álbum: Sobre Todas as Forças, coroou a banda, consagrando-a para o sucesso, com grandes sucessos como "A Sombra da Maldade" e "Pensamento". O álbum caiu nas graças do público, até mesmo daqueles que nunca haviam dado bola para o ritmo jamaicano. Dessa vez o álbum contou com a participação de Shabba Ranks na canção "Downtown". Mas o grande sucesso mesmo desse álbum foi a romântica "Onde Você Mora?", de autoria de Nando Reis e Marisa Monte. O álbum também contou com a participação de Gabriel o Pensador.

Solidificação do Sucesso

Lançado em 1996, o quarto álbum O Erê solidificou o sucesso da banda. Uma vez mais produzido por Liminha, o álbum contou com as participações de Patra em "Realidade Virtual" e do grupo Inner Circle na canção "Free". "Firmamento" juntamente com a faixa-título "O Erê" foram os principais hits do álbum.

Mais tarde, em 1998, viria o quinto álbum da banda Quanto Mais Curtido Melhor, novamente produzido por Liminha, emplacando nas paradas com mais um hit, a canção "A Estrada". O álbum contou com a participação de Lulu Santos na inédita "Sábado à Noite" e também da cantora africana Angelique Kidjo.

Lançado em 1999, o álbum duplo Hits & Dubs mostrou o quanto a banda é reconhecida dentro e fora do país. Enquanto o Hits contém uma coletânea com os maiores sucessos da banda desde seu início, o Dubs trata-se de versões das canções da banda remixadas por alguns dos maiores nomes do reggae e do dub como Lee 'Scratch' Perry, Steel Pulse e Mad Professor; e de produtores amigos da banda como Nelson Meirelles, Liminha e Paul Ralphes.

No ano seguinte, em 2000, viria o sétimo álbum da banda, Enquanto o Mundo Gira, talvez aquele que mais tenha se afastado do reggae, aderindo ao pop. Deste álbum destacam-se as canções "A Flecha e o Vulcão", "Podes Crer" e "Voz do Excluído", esta com participação de MV Bill.

Acústico MTV

Em 2002, à convite da MTV, o grupo abraçou o projeto Acústico MTV, registrado em CD e DVD. Produzido por Liminha e Paul Ralphes, o álbum é uma coletânea de grandes sucessos da banda em versões desplugadas, levemente retocadas. Além dos grandes sucessos o álbum apresentou as inéditas "Girassol", "Berlim" e a versão em português de "Johnny B. Goode" de Chuck Berry, com o arranjo igual a versão de Peter Tosh. O acústico contou com a participação de Gilberto Gil em sua própria canção "Extra".

A banda em concerto, 17 de julho de 2005

Volta às raízes

Após o álbum acústico, Perto de Deus foi o primeiro lançamento da banda. Produzido por Paul Ralphes e lançado em 2005, o álbum resgata o reggae raiz. Nesse álbum grande destaque para a canção "Perto de Deus" com a participação de Anthony B. Destacam-se também as canções "Além das Ondas", "Eu sei que Ela" e o "Homem que Faz a Guerra", que contou com a participação do rapper Rappin Hood. O álbum também apresenta a versão de um dos maiores sucessos de Bob Marley, "Concrete Jungle".

Vinte anos

Em 2006, comemorando vinte anos de carreira, o grupo carioca lançou o duo CD e de igual maneira DVD Direto - Ao Vivo. Gravado na Fundição Progresso, na Lapa, Rio de Janeiro, o CD traz dezoito faixas, incluindo os grandes sucessos e sete canções inéditas, três delas gravadas em estúdio. Dentre as inéditas podemos destacar "Bamba" (ao vivo) e "O Paraíso tem um Tempo Bom" (estúdio). Participações especiais não faltaram, Lulu Santos e Os Paralamas do Sucesso marcaram presença, engrandecendo ainda mais o evento.

Diversão

Não rendendo o sucesso esperado com o álbum Direto - Ao Vivo, a gravadora Sony BMG acabou não renovando seu contrato com a banda, que logo encontrou abrigo na EMI Music para lançar seu mais novo projeto até então o CD e DVD: Diversão - Ao Vivo, gravado no Teatro Popular - Niterói, em 16 de agosto de 2007, lançado segundo a própria banda, apenas por diversão. Neste álbum, produzido por Nilo Romero, a banda homenageia grandes nomes da música brasileira, como Cazuza, Chico Buarque, Jorge Ben Jor e Legião Urbana; regravando grandes sucessos da MPB em ritmo de reggae. O disco não traz composições inéditas do grupo. A faixa de trabalho do álbum foi "Meu Coração" composição de Gilberto Gil e Pepeu Gomes lançada originalmente em 1979.

Saída de Toni Garrido e chegada de Alexandre Massau

Em abril de 2008, Toni Garrido anunciou sua saída do Cidade Negra, depois de quatorze anos na estrada, para seguir carreira com a banda Flecha Black e realizar trabalhos solo. Toni cumpriu o que já estava marcado na agenda da banda e realizou seu último concerto na Festa Estadual do Leite Presidente Getúlio, Santa Catarina, em 31 de maio de 2008. No dia 13 de junho, o Cidade Negra anunciou o novo vocalista.

Para o lugar de Toni, a banda contou com o cantor Alexandre Massau, ex-vocalista das bandas mineiras Berimbrown e Preto Massa. Alexandre mudou-se para Rio de Janeiro, onde alavancou de vez sua carreira ao ser o mais cotado substituto de Toni Garrido. Logo em seguida, fez sua estréia no grupo, no Festival de Inverno da cidade mineira de Santos Dumont, em 29 de julho do mesmo ano, com calorosa recepção do público.

Cinco meses depois do desligamento de Toni Garrido, o guitarrista Da Gama anúnciou em seu site sua saída do grupo para seguir carreira solo, carreira qual ele já vinha se dedicando desde meados do ano, trabalhando na produção de seu primeiro disco solo Violas e Canções.

O Cidade Negra agora é um trio com Alexandre, Lazão e Bino. Com a saída também do guitarrista contratado Sérgio Yazbeck, entraram os guitarristas Alexandre Prol e Egler Bruno, ambos músicos experientes com trânsito em vários estilos, que deram um encorpada no som. Completa a formação o tecladista Alex Meirelles, já há anos no Cidade Negra.

Integrantes

Formação atual

Alexandre Massau

Alexandre Cardoso Machado, antes conhecido como Alexandre Cardoso (Belo Horizonte, 10 de maio de 1978) é músico brasileiro vocalista e natural de Belo Horizonte. Filho do meio de Dona Consuêlo, numa família de três homens, e pais separados.

Adotou como nome artístico Alexandre Massau em função de sua ida para o Cidade Negra, numa reverência ao hinduísmo, religião na qual o original Masao quer dizer espírito superior. Cresceu no bairro Maria Goretti, periferia da capital mineira, região chamada de quilombo cultural.

Seu contato com a música aumentou na década de 1990 através de um projeto sócio-cultural em seu bairro chamado Bloco Afro Porto de Minas, liderado pelo Mestre de Capoeira, Negoativo (Ramon Lopes, 1967). Durante dez anos, o Bloco Afro Porto de Minas atuou na comunidade, criando um espaço onde crianças e adolescentes tinham a oportunidade de desenvolver seu talento musical. A idéia sempre foi poder transformar alunos das escolas sem merenda da periferia em artistas potenciais. Cultuavam a cultura negra em geral, do candomblé ao black power.

E lá se foi Alexandre cantar samba-reggae. Ao lado dos músicos e companheiros de bloco, Negoativo e Berico, em 1998 eles formaram a banda Berimbrown, com a qual se inscreveram e ganharam o Profest, festival de música de bandas independentes.

Assim, no final de 1999 Alexandre se viu no meio de uma trajetória artística profissional e de um importante trabalho na periferia de BH, com a fundação do grupo que surgia com um ritmo novo, o "congopop"; segundo os próprios componentes, gênero que mistura funk, reggae, samba, congada, folia-de-reis, soul music, marujada e outros ritmos.

Em 2000 foi lançado o primeiro disco, independente, que vendeu cinco mil cópias e chamou a atenção de vários críticos mineiros e paulistas.

Ainda em 2000, foi um dos 78 nomes selecionados para o "Projeto Rumos Itaú Cultural Música". No ano seguinte, na comemoração do segundo ano do projeto, a banda voltou a se apresentar no Sesc Pompéia, em São Paulo. Ainda em 2001, apresentou-se no Canecão, no Rio de Janeiro, desta vez participando do "Projeto Telemig Celular de Música", show no qual recebeu Sandra de Sá.

Em 23 de março de 2001 o Berimbrown se apresentou no Musikaos da rede Cultura quando Alexandre já se destacava como excelente cantor.

Em 2002 surge o Kilombola, que é a continuidade do antigo Bloco Afro Porto de Minas, onde o Alexandre também rege os participantes do projeto. Criado para tornar a música um diferencial no resgate à cidadania, e com o princípio de resgatar a cultura afro-universal, tem o apoio da loja A Serenata, que disponibilizou os instrumentos para as cerca de 60 crianças e adolescentes do bairro Maria Goretti e adjacências. Os ensaios acontecem na Escola Municipal Maria da Assunção de Marco.

Ainda em 2002 lançou com o Berimbrown o segundo disco, "Aglomerado", este pela gravadora Obi Music, uma das primeiras a privilegiar o segmento black-music.

Dividia o tempo regendo o Kilombola desenvolvendo um trabalho de pesquisa de ritmos de matriz africana - especialmente os tambores de Minas (congado) e berimbau (arco musical), e ritmos estrangeiros de origem negra - como o reggae, o rap, o funk e o soul. Seu estilo era uma enorme cabeleira Black Power e calças boca-de-sino.

Em 2003 gravou participação no primeiro CD do DJ Rogermoore. Frequentemente haviam convites para participações de Alexandre em outros shows, inclusive com Marku Ribas, Alda Resende, Décio Ramos, Uakti, Maurício Tizumba, Patrícia Amaral, Érika Machado. Neste ano com o Berimbrown fez uma participação no DVD Eletrodoméstico, que Daniela Mercury gravou na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, nos dias 24 e 25 de Janeiro de 2003.

Em 2004 desligou-se do Berimbrown, foi trabalhar com Jingles publicitários e cursar Teatro.

No dia 11 de fevereiro de 2005, registrou em seu nome a banda Preto Massa que contagiou o púbico com suas apresentações enérgicas e dançantes por todo estado de Minas. Grupo com composições próprias e releituras de artistas como James Brown, Tim Maia e Tony Bizarro, ícone do funk e soul brasileiro da década de 1970. A proposta da banda é de causar impacto, conduzindo riffs marcantes e pegada black.

A formação do Preto Massa é Alexandre (vocal), o Egler Bruno (guitarra), Thiago Correia (baixo) e Alexandre Tamietti (bateria). Os quatro componentes do Preto Massa já têm história na cena mineira ao lado de artistas como Berimbrown, Pato Fu, Diesel, Udora, Tambolelê, respectivamente e dentre outros.

A propósito, Egler Bruno foi, juntamente com Alexandre, selecionado para reforçar o Cidade Negra, o que comprova ainda mais a qualidade dos músicos do Preto Massa, que conheceram na casualidade espontânea que caracteriza os bastidores da música no estado. Com uma afinidade musical centrada na energia e ousadia, o grupo tem colocado todo mundo para dançar. O Preto Massa teve duas formações, sendo que a primeira durou cerca de um ano e contava com Alexandre, Egler, Rodrigo e Tuco. Hoje o Preto Massa encontra-se em recesso devido a participação dos dois integrantes, Alexandre e Egler, no Cidade Negra.

Em maio de 2008, Alexandre mudou-se para Rio de Janeiro onde alavancou de vez sua carreira, ao ser o mais cotado substitudo de Toni Garrido, para a banda Cidade Negra.

Bino Farias

André José de Farias (Rio de Janeiro, 30 de novembro de 1970), carioca, foi responsável pelo começo do Cidade Negra. Bino, como ficou conhecido, é baixista e foi indicado ao prêmio de melhor instrumentista do Brasil pelo Prêmio Multishow em 2008.

Lazão

Lazão é o baterista da banda. A música esteve sempre em sua vida. Lazão foi criado ouvindo as rádios e músicas que o pai gostava como Orlando Silva, Evaldo Braga, The Fevers e Bill Halley, que ele também apreciava. Por si só, Lazão começou a tocar percussão em 1974, no bloco carnavalesco Anjo da Guarda, do Morro da Palmeira, onde morava, no Rio de Janeiro. A partir dos 15 anos, a poesia passou a ser uma boa companheira para o músico, que sempre podendo priorizou seu lado compositor.

Mas o que ele gostava mesmo era de rock e soul music, fruto da influência de Monsieur Lima e Big Boy. Naquela época, Lazão e um amigo montaram uma equipe de som, "Black soul do Rubem"; em Belfort Roxo. Os bailes rolavam sexta e sábado e Lazão era responsável pela iluminação da festa.

Entre as parcerias que fez ao longo da carreira, junto com o Cidade Negra, estão músicos e artistas como Marcos Valle, Dulce Quental, Zé Ramalho, Jorge Mautner, MV Bill, Nelson Motta, Bernardo Vilhena e André Derizans.

Com 22 anos de estrada, o baterista e percussionista assina juntamente com o restante do grupo alguns dos maiores sucessos da banda.

Ex-integrantes

Ras Bernardo

Toni Garrido

Da Gama

Discografia

Álbuns de estúdio


  • 1991 Lute Para Viver

  • 1992 Negro no Poder

  • 1994 Sobre Todas as Forças

  • 1996 O Erê

  • 1998 Quanto Mais Curtido Melhor

  • 2000 Enquanto o Mundo Gira

  • 2005 Perto de Deus



Compilações


  • 1999 Hits & Dubs

  • 2008 Cidade Negra: Perfil



Álbuns ao vivo


  • 2002 Acústico MTV

  • 2006 Direto - Ao Vivo

  • 2007 Diversão - Ao Vivo



Videografia

DVD


  • 2002 Acústico MTV

  • 2006 Direto - Ao Vivo

  • 2007 Diversão - Ao Vivo



Fontes:

- http://pt.wikipedia.org/wiki/Cidade_Negra