Biografia - Pearl Jam

Pearl Jam Como tudo começou?

O embrião do Pearl Jam pode ser encontrado em outras bandas de Seattle, na época em que a cidade ainda não era o grande foco das atenções no mundo do rock’n’roll, como ficou sendo durante a primeira metade da década de 90. Podemos começar dizendo que o guitarrista Stone Gossard e o baixista Jeff Ament eram amigos e formaram uma banda de hard-rock chamada de Green River ao lado do guitarrista Steve Turner e o vocalista Mark Arm, mais ou menos na metade da décade de 80.Chegaram a gravar e lançar um disco, chamado Rehad Doll, além de um EP, pelo selo local Sub Pop. Mas, em 1988, a banda resolveu se separar, sendo que Arm e Turner formariam logo depois o Mudhoney, uma das bandas primordiais do grunge. Jeff e Stone continuam juntos e, juntamente com o baterista Jeff Turner e o vocalista Andrew Wood, formaram uma nova banda, chamada Mother Love Bone. Logo eles assinaram um contrato com a Geffen Records e lançaram em 1989 o EP chamado Shine e, em 1990, um álbum chamado Apple. A banda começou a fazer a sucesso nos EUA, quando, logo depois do lançamento de Apple, em 16 de março de 1990, morreu o vocalista Andrew Wood, vítima de uma overdose de heroína.
Depois disso, Stone e Jeff se separaram, mas continuaram a compor e escrever músicas. Depois de algum tempo, voltaram a se juntar com o propósito de formar mais uma banda. A eles se juntou o guitarrista Mike McCready (ex-Shadow), mas faltava ainda um vocalista e um baterista. Por intermédio do amigo e baterista Jack Irons (ex-Red Hot Chilli Peppers), eles conheceram Eddie Vedder, que estava naquele momento trabalhando em uma indústria de petróleo em San Diego, Califórnia, e que costumava cantar e tocar com alguns amigos nos bares da cidade, em uma banda chamada Bad Radio. Vedder recebeu uma fita demo do trio de Seattle, apenas com músicas instrumentais, e gostou do som. Ele resolveu escrever as letras que faltam a essas músicas (reza a lenda que ele foi surfar um dia, e, ao sair do mar, estava com as três letras prontas na cabeça?—?Once, Alive e Footsteps, que possuem ligação entre si), e ele mesmo gravou sua performance por cima dos instrumentos na fita e a enviou de volta para Seattle. O trio ficou impressionado resolveu convidar Eddie para ser o vocal da futura nova banda. Assim, ele foi para Seattle e gravou com eles durante três semanas, sendo que, ao final dessas, já estavam se apresentando para o público local.
Ao mesmo tempo que isso acontecia, Chris Cornell, vocalista do Soundgarden e ex-companheiro de quarto do falecido vocalista do Mother Love Bone, resolveu formar um banda para fazer um disco em homenagem ao antigo companheiro. Ele contacta Jeff Ament e Stone Gossard, que aceitaram fazer parte desse projeto. Estes, por sua vez, levaram consigo Mike McCready e Eddie Vedder, e, juntamente com o baterista Matt Cameron, também do Soundgarden, formaram o Temple of the Dog. Eles gravaram um excelente álbum auto-intitulado, que saiu pela A&M Records em 1991. Depois do fim dessa banda (que desde o início era apenas um projeto temporário para homenagear o carismático Andrew Wood), Jeff, Stone, Mike e Eddie decidiram formar definitivamente uma nova banda, e para isso ganharam o reforço do baterista Dave Krusen.
Assim nasceu o Pearl Jam. A princípio, o nome da banda seria Mookie Blaylock, que era o nome de um jogador de basquete. Mas eles tiveram que mudá-lo por problemas burocráticos, e Vedder sugeriu o nome Pearl Jam, que seria uma homengam a uma geléia com poderes alucinógenos que sua avó, chamada Pearl, fazia. Depois de mais algum tempo gravando material para o álbum debut, eles assinaram um contrato com a Epic Records, lançando o resultado dessas gravações em agosto de 1991.
Esse resultado foi o disco Ten (número da camisa de Blaylock no New Jersey Nets), certamente um dos melhores álbuns do dito grunge, e do rock em geral nos últimos tempos. O disco possui canções belas e inesquecíveis como Alive (o grande sucesso radiofônico do disco, e que levou o Pearl Jam a ser conhecido nos quatro cantos do mundo), Oceans, Black e Release, e outras pesadas e raivosas como Once e Why Go, além de outras excelentes por si sós, como Jeremy (outro grande sucesso radiofônico), Porch e Even Flow. Com a excessiva excecução desse disco nas rádios e MTV, a banda foi ficando bastante conhecida e o álbum chega assim ao Top Ten americano. A banda ganhou o prêmio de Video of the Year da MTV, com o clip de Jeremy, além de vários outros prêmios. O destaque final ficou por conta das emotivas letras escritas por Vedder, responsáveis em parte pela sintonia imediata do público com a banda. Ele costuma dizer que suas letras são para serem interpretadas por cada um como bem entender, podendo até gerar interpretações distintas dependendo do ouvinte.
Assim, a banda partiu para uma grande turnê de divulgação ao redor do mundo, mas sem o baterista Dave Krusen, que saiu no final das gravações desse primeiro disco por problemas pessoais. Matt Chamberlain tocou com a banda nessa turnê. O Pearl Jam também ficou conhecido por suas apresentações, cheias de energia e com o carisma de Vedder transbordando em cada uma delas, com seu comportamento no palco e os constantes stage-dives em meio ao público.
Em 1992, a banda participou do filme Singles, do diretor americano Cameron Crowe. Nesse filme, é feito um retrato da geração grunge de Seattle, e várias bandas da cidade aparecem tocando, como por exemplo o Alice in Chains. Alguns dos membros do Pearl Jam faziam parte da banda de Matt Dillon no filme, chamada Citizen Dick, sendo que Vedder era o baterista.
A banda participou ainda de um mini-acústico para a MTV, no qual eles tocaram algumas canções do primeiro disco, além de uma música que saiu na trilha sonora do filme Singles (chamada State of Love and Trust, e que podia perfeitamente ter saído no Ten, de tão boa que é) e uma música cover de Neil Young, chamada Rockin’ in the Free World (que a banda também tocou em vários shows normais).
Nessa apresentação, Vedder protagonizou um show particular ao final, quando ele sobiu no banquinho em que estava sentado e, com uma caneta, escreveu vários slogans em seu corpo, em particular alguns a favor de um instituição ambiental chamada Earth First (ele possui uma tatuagem em sua perna com o logotipo dessa instituição, da qual ele é sócio). O ano de 1992 também marcou a aproximação entre o Nirvana e Pearl Jam, uma vez que, no passado, Kurt Cobain havia hostilizado a banda de Eddie Vedder. Depois de conhecer Vedder pessoalmente, Kurt pediu desculpas em público pelo o que havia dito sobre eles. “I’m not going to do that anymore. It hurts Eddie and he’s a good guy”, disse Kurt em uma ocasião. A agenda do grupo em 1992 continuou intensa: Vedder ainda achou tempo de participar das gravações do álbum Recipe for Hate, do Bad Religion, banda do seu amigo Greg Graffin. No quesito shows, a banda abriu para vários artistas conhecidos, como Red Hot Chilli Peppers, U2 e Neil Young (com quem fariam uma parceria anos mais tarde), além de serem o headliner da segunda edição do festival alternativo Lollapalooza, organizado anualmente por Perry Farrell (ex-Jane’s Addiction e Porno for Pyros).
Depois desse exaustivo ano, em que o Pearl Jam consolidou de vez o status de ser a grande banda de rock do momento, o grupo voltou ao estúdio para gravar o seu segundo disco. Em outubro de 1993 saiu então Vs, outro álbum excepcional. A princípio, ele iria se chamar 5 Against 1, mas na última hora a banda resolveu chamá-lo simplesmente de Vs (aliás, esse título não está escrito em nenhum lugar do CD, a exemplo do que fez o Led Zeppelin em seu quarto disco). No line-up da banda, nova troca de baterista: Matt Chamberlain saiu para ir tocar no Saturday Night Live Band, e no seu lugar entrou Dave Abbruzzese. A banda mostrou definitivamente que pode ir além do que faz a maioria das bandas grunges, que, nessa época, já estavam fazendo muito sucesso. O disco possui excelentes canções, como Animal, Daughter, Rearviewmirror, WMA, Leash e Indifference. Cada uma transborda de feeling e garra, mostrando a banda bem entrosada e com composições excepcionais. O disco logo entrou no Top Ten americano, tendo atingido a incrível marca de 350.000 cópias vendidas apenas no primeiro dia de seu lançamento. Mas nem tudo eram flores: Vedder experimentava cada vez mais o que é ser um “rock star”, e isso o incomodava. Mas a banda não diminuiu o ritmo intenso. Ainda em 1993, Eddie participou de um show no Rock and Roll Hall of Fame ao lado dos ex-membros do The Doors, Ray Manzarek, John Densmore e Rob Krieger. Lá eles cantaram três músicas do inesquecível grupo de Los Angeles: Roadhouse Blues, Break on Through e Light my Fire. Para fechar o ano, a banda apareceu em uma apresentação para o MTV Music Video Awards, com Neil Young no palco para a última música, Rockin’ in the Free World.
Nesse período, a banda começou a se mostrar insatisfeita com a política comercial da Ticketmaster, a empresa americana que controla a venda e distribuição de ingresssos para os shows feitos nesse país. O principal motivo era o preço desses ingressos, que a banda sempre lutou para manter baixo, ao contrário do que efetivamente acontecia. Em maio, eles acionaram oficialmente a justiça americana para uma investigação, acusando-os de monopólio, uma vez que não haviam outras empresas para promover uma competição, e, conseqüentemente, abaixar os preços e forçar a melhora dos serviços. Assim, eles romperam com a empresa e passaram a promover e organizar os próprios shows, obtendo apoio de vários outros artistas, como o REM, Aerosmith e Neil Young. Isso dificultou bastante a vida da banda, pois a Ticketmaster facilitava bastante esse processo (a despeito do grande lucro que obtinham no final) e eles acabaram entrando em um período de baixa, que culminou com algumas brigas internas, ao mesmo tempo em que o Departamento de Justiça Americano desistiu de investigar a Ticketmaster. Decepcionados com o mercado artístico e a indústria cultural vigente nos EUA, a banda adotou uma postura anti-comercial: pararam de produzir clips, não tocavam mais para grandes audiências, não apareciam em programas de TV, não davam entrevistas a revistas, não usavam mais as caixinhas de CDs normais (que aumentam o preço final do produto) para comercializar seus trabalhos e, claro, não usavam mais a Ticketmaster para promover seus shows. Aparentemente, a idéia da banda era não se expor demais (virando apenas um “produto” para a MTV e rádios) e fugir dos “fãs de momento”, aqueles que só os conhecem pela excessiva exposição da banda pelos meios de comunicação comuns, meios esses que apenas visam o mesmo objetivo da Ticketmaster: lucro comercial.
Ainda em 1994, ocorreu um outro fato que não só afeta o Pearl Jam, como também grande parte do cenário musical mundial: Kurt Cobain se suicidou no começo de abril. A banda resolveu cancelar alguns shows marcados para o verão, mostrando-se bastante abalada e consternada com o fato, e, em uma aparição no programa Saturday Night Live, Vedder usou uma camiseta com um K desenhado. Nessa apresentação, ele cantou um trecho de uma música de Neil Young, chamada Hey Hey My My (Out of the Blues). Kurt havia usado uma frase dessa música em sua carta de despedida (“It’s better to burn out than to fade away”).
Apesar de todos esses problemas, e de Vedder se mostrar cada vez mais incomodado com o seu status de “rock star”, a banda entrou em estúdio novamente, e, em dezembro de 1994, lançou Vitalogy. O álbum saiu primeiramente em uma edição especial de vinil, passando a ser comercializado também em CD e K7 apenas duas semanas depois. Esse disco mostra um Pearl Jam ainda criativo e contagiante, com Vedder escrevendo ótimas letras e criando excelentes melodias, e os instrumentistas bem afiados e mostrando muita garra (além de uma boa dose de experimentalismos, como na estranhíssima última faixa). Algumas músicas que se destacam são Last Exit, Spin the Black Circle (uma das músicas com maior sonoridade punk do Pearl Jam — o título é uma referência ao fato de Vitalogy ter sido também lançado em vinil), Whipping (composta originalmente para sair no disco Vs), Better Man (que Vedder compôs nos tempos de Bad Radio), a belíssima Corduroy e a balada Immortality (que a banda insiste em afirmar que não é uma homenagem a Kurt Cobain). Apesar disso, o disco não vendeu tão bem quanto os anteriores, e a tensão aumentou. Ele não chegou a ser um fracasso, claro, mas a significativa diminuição de cópias vendidas foi diretamente causada pelo biocote que a banda sofre por parte da imprensa em geral, devido à postura anti-comercial adotada por eles. Mesmo assim, o número de vendas mostrou que a banda possuia um grande número de fãs fiéis, e não apenas aqueles fãs típicos da MTV, que compram qualquer coisa que a rede de TV promove como sendo “a grande sensação”. Dave Abbruzzese foi despedido (por motivos até hoje desconhecidos) e Jack Irons (amigo da banda, e ex-Red Hot Chilli Peppers) assumiu as baquetas no final das gravações do disco, ajudando a amenizar a situação entre os membros originais. Para fechar o ano, Vedder resolveu então se desligar rapidamente do Pearl Jam e excursionou com seu projeto paralelo chamado Hovercraft.
Já em 1995, a banda reuniu-se novamente e lançou um novo trabalho, mas na verdade não foi um álbum oficialmente do Pearl Jam. Neil Young convidou a banda para tocar em seu novo disco, chamado Mirrorball, um dos mais pesados do lendário cantor, e com bastante sonoridade grunge. Vedder fez backing vocals em algumas músicas, e, por motivos burocráticos (devido ao fato das gravadoras dos artistas serem diferentes), o nome Pearl Jam não saiu escrito no disco, sendo que apenas os nomes dos membros da banda foram citados no encarte. O Pearl Jam então aproveitou algumas gravações e composições dessa experiência e lançou um single chamado Merkinball, que contém duas ótimas músicas nas quais é bastante nítida a influência que Neil Young causou na banda nesse período, incluindo participação do próprio na gravação. Na mesma época da união com Neil Young, nasceu o Mad Season, um projeto paralelo levado a cabo por Mike McCready, Layne Stanley (Alice in Chains), Barret Martin (Screaming Trees) e Baker Saunders (Lamont Cranston). O primeiro disco da banda se chama Above, e foi lançado em março desse mesmo ano.
Na metade de 1995, a situação entre os membros da banda voltou a ficar delicada, após um show em San Francisco, no qual Eddie Vedder deixou o palco após a sétima música alegando estar debilitado fisicamente por causa de algo que comera no hotel. Neil Young, que estava com a banda se preparando para divulgar Mirrorball, gentilmente termina o show no lugar de Eddie, mas sem evitar que a banda ficasse incomodada com Vedder. Eles decidiram se separar por algum tempo, para descansarem e tentarem temporariamente levar uma vida normal, cancelando assim os próximos shows agendados.
Mas isso não ocorreu. Os membros da banda aparentemente não conseguiam ficar longe da música, e do Pearl Jam em si. Eles voltaram a se reunir uma semana após a separação, em depois de fazerem as pazes e traçar novos objetivos, voltaram à turnê que fora brevemente interrompida.
Em 1996, voltaram ao estúdio e, em agosto do mesmo ano, lançaram No Code, que pode ser considerado um marco na carreira da banda. É o disco mais eclético e variado do quinteto, no que diz respeito a influências, sonoridades e estilos. Pode ser considerado por alguns como também o mais comercial, mas isso não faz com que ele seja ruim, muito pelo contrário. Possui excelentes músicas como In My Tree (com uma batida tribal empolgante, parecida com a música WMA do disco anterior, e que já mostrava como a banda podia variar em suas músicas), Hail, Hail, Red Mosquito, Lukin (homenagem a Mark Arm, do Mudhoney), a magnífica Mankind e a bela e surpreendente Around the Bend. A banda continuou com sua política de não divulgar o álbum comercialmente pelos meios normais, como lançando vídeos pela MTV (a banda só os fez para o disco Ten), dando entrevistas e se apresentando em programas de TV. A imprensa em geral, naturalmente, continuou a boicotá-los, mas a banda não se comoveu e continuou a fazer aquilo que acredita, e, principlamente, para aqueles que acreditam. Enquanto a imprensa detonava o quinteto (principalmente Eddie Vedder), vários artistas os defendiam, entre eles Michael Stipe, do REM, e Courtney Love, do Hole, dando assim mais credibilidade à banda, e fazendo com que os fiéis e verdadeiros fãs do Pearl Jam continuassem os prestigiando.
Obviamente, No Code não foi um retumbante sucesso comercial, mas mesmo assim vendeu bem, e a banda partiu para um nova turnê de quase dois anos, sempre com bons públicos (a despeito de não estar sendo bancada pela Ticketmaster). É importante dizer também que o grupo perdeu um pequena parcela de fãs antigos, que gostavam mais da época grunge do quinteto, com suas músicas raivosas e pesadas, mas, mesmo assim, o Pearl Jam continuou sendo uma das melhores bandas do mundo, fato comprovado em cada uma das excelentes faixas do No Code.
Depois da extensa turnê de divulgação, o Pearl Jam voltou ao estúdio e passou o resto de 1997 trabalhando em novo material. O resultado foi lançado em fevereiro de 1998, e foi chamado de Yield. Boas críticas e vendagens relativamente boas também marcaram esse lançamento, mas, claro, sem a euforia dos dois primeiros discos. Esse disco é bem parecido com No Code: mostra a banda mais madura e competente em suas composições e arranjos intrumentais, com músicas mais voltadas ao rock’n’roll normal, livrando-se definitivamente do estigma de banda grunge. São vários os destaques, como a contagiante Brain of J, a bela Faithfull, Given to Fly (que tem uma levada muito parecida com Going to California do Led Zeppelin) e a pérola MFC, que tem um trabalho de guitarras inesquecível. Nesse disco, a banda voltou atrás em uma das atitudes da postura anti-comercial levada a cabo por eles, aquela mais afetou os fãs (e por isso mesmo eles acabaram cedendo): a não-produção de vídeo-clips. Eles fizeram um excelente vídeo para a faixa Do the Evolution, todo animação, produzido pelo criador do personagem de revistas em quadrinhos Spawn. O clip foi transmitido exaustivamente pela MTV ao redor do mundo. Depois do lançamento do álbum, Jack Irons saiu da banda e Matt Cameron, ex-Soundgarden, assumiu as baquetas. Ainda em 1998, dois novos lançamentos da banda: o vídeo Single Video Theory, onde a banda aparece em estúdio tocando músicas do último álbum, e o primeiro disco ao vivo, Live on Two Legs. Nesse álbum, a banda aparece tocando músicas de todos os seus cinco discos, e fecha o álbum com mais um cover de Neil Young, Fuckin’ Up.
O ano de 1999 começou com o Pearl Jam participando de um disco em benefício das vítimas da guerra de Kosovo, chamado No Boundaries (no Brasil, Sem Fronteiras), com um cover para Last Kiss, gravação original de J. Frank Wilson and the Cavaliers. Ainda em 1999, a banda voltou a trabalhar na gravação de um novo disco, o sexto de estúdio. O resultado foi lançado em maio de 2000: Binaural. Produzido por Tchad Blake e mixado por Brendan O ‘Brian, Binaural pode ser comparado com Yield e No Code, por mostrar a banda mais contida, sem o peso e agressividade de antigamente. O disco tem seus bons momentos, mas costuma ser apontado por muitos fãs como o mais fraco da banda.
A turnê de Binaural ficou marcada por dois acontecimentos. O primeiro, uma tragédia: na apresentação da banda no Roskilde Festival, na Dinamarca, em 30 de junho de 2000, nove fãs morreram sufocados em meio a um tumulto ocorrido em frente ao palco. A banda ficou profundamente abalada e cogitou até se aposentar, mas, no fim das contas, seguiu em frente. O segundo fato foi o início da tradição dos “official bootlegs”, gravações profissionais dos shows da banda, disponibilizadas aos fãs por preços razoáveis. A idéia era diminuir a circulação de gravações piratas de péssima qualidade.
O ano de 2001 foi de pouca atividade: além do lançamento do vídeo Touring Band 2000, que mostra a banda na turnê do ano anterior, vale registrar a parceria de Eddie Vedder e Mike McCready com Neil Young para uma gravação da música Long Road, que foi incluída na coletânea America: A Tribute To Heroes, em homenagem às vítimas do atentando terrorista em Nova York, ocorrido em setembro daquele ano.
Em 2002, a banda voltou ao estúdio para gravar seu sétimo disco, ao lado do produtor Adam Kasper. Em outubro saiu o primeiro single, para a música I am Mine, e no mês seguinte foi lançado Riot Act. É um trabalho bastante maduro e coeso, que agrada mais aos fãs do que Binaural. A banda voltou a apresentar também um vídeo, para a canção I am Mine (o último tinha sido para Do the Evolution do disco Yield). Na turnê de Riot Act, a polêmica ficou por conta da acintosa crítica feita por Eddie Vedder ao presidente americano George W. Bush. Em alguns shows, fãs descontentes com a postura política da banda deixaram os shows enquanto o vocalista brincava com uma máscara de Bush.
Em 2003, os lançamentos da banda foram a coletânea de b-sides Lost Dogs e o DVD Pearl Jam at the Garden, que traz uma apresentação memorável do quinteto em Nova York (sexteto, se contarmos com o tecladista Boom Gaspar), com participações especiais de Ben Harper, Steve Diggle e Tony Barber. Outro fato importante de 2003 foi o fim do contrato com a Epic, que havia lançoada todos os discos do grupo até então.
Em 2004 saiu o disco duplo Live at the Benaroya Hall (num acordo para um único álbum com a BMG), que traz uma performance acústica realizada em outubro de 2003 em prol da organização beneficente Youth Care. E, para sepultar o contrato com a Epic, saiu a coletânea Rearviewmirror (Greatest Hits 1991-2003). O ano seguinte passou com a banda na estrada, tocando no Canadá, depois com os Rolling Stones pelos EUA, e, finalmente, passando pela América do Sul, com direito a cinco shows antológicos no Brasil, junto com o Mudhoney.
Em 2006, após anunciar o acordo com a J Records (que, assim como a Epic, faz parte do grupo Sony BMG), o Pearl Jam lançou seu oitavo disco de estúdio, intitulado simplesmente Pearl Jam. Para divugação de seu novo álbum, a banda voltou a participar de alguns tradicionais festivais europeus, o que não ocorria desde a tragédia de Roskilde, em 2000. No ano posterior, foram lançados alguns registros desta turnê: Live at the Gorge 05/06, um box set gravado a partir de um show em Washington, e o DVD Immagine in Cornice, gravado na Itália.
Em 2009, temos novo disco do Pearl Jam: Backspacer, lançado em 20 de setembro nos EUA através do selo da banda, o Monkeywrench Records (o acordo anterior com a J Records não foi renovado). O novo álbum foi produzido por Brendan O’Brien, cujo último trabalho com a banda havia sido em Yield, de 1998

Membros
  • Eddie Vedder - Vocal, Guitarra
  • Jeff Ament - Baixo
  • Matt Cameron - Bateria
  • Mike McCready - Guitarra Solo
  • Stone Gossard - Guitarra Base


História


Década de 80: Outras Bandas

O embrião do Pearl Jam foram outras pequenas bandas de Seattle. Na época a cidade ainda não era reconhecida como grande pólo do Rock 'n roll americano, sendo lembrada apenas por ser a terra natal de Jimi Hendrix.
O guitarrista Stone Gossard e o baixista Jeff Ament eram amigos e formaram uma banda de hard rock chamada Green River, ao lado do guitarrista Steve Turner e do vocalista Mark Arm, em 1984. Chegaram a gravar e lançar um disco, chamado Rehad Doll, além de um EP, pelo selo local Sub Pop.
Mas em 1988, a banda resolve se separar, sendo que Arm e Turner formariam logo depois o Mudhoney, uma das bandas primordiais do grunge. Jeff e Stone continuam juntos e, juntamente com o baterista Jeff Turner e o vocalista Andrew Wood, formam uma nova banda, chamada Mother Love Bone. Assinam um contrato com a Geffen Records e lançam em 1989 o EP Shine e, em 1990, um álbum chamado Apple. A banda começa a fazer sucesso nos EUA, quando, logo depois do lançamento de Apple, em 16 de março de 1990, morre o vocalista Wood, vítima de uma overdose de heroína.
Chris Cornell, amigo de Andrew Wood, sugeriu um disco tributo para Wood. Nascia então o Temple Of The Dog, projeto que reuniu integrantes do Mother Love Bone e do Soundgarden. Para a guitarra solo, convocaram o ainda iniciante Mike McCready, que já tocava, nesse meio-tempo, com Jeff e Stone os instrumentais que Stone havia composto mas que ainda não haviam sido gravados. Stone, Jeff e Mike haviam, na época do Temple, recentemente encontrado um vocalista para os instrumentais que tocavam: Eddie Vedder, vocalista de Evanston, indicado por um amigo comum: Jack Irons, baterista da primeira formação do grupo californiano Red Hot Chili Peppers. Devido ao grande talento de Eddie Vedder, este fora convidado a gravar vocais de fundo para o Temple of the Dog. Este supergrupo de Seattle lançou seu disco homônimo em 1991 e emplacou a música Hunger Strike nas paradas. Porém, Stone, Jeff e Mike estavam agora mais centrados no conjunto que formaram com Vedder.


1990: Surge o Pearl Jam


Formação da Banda

Conforme citado acima, Eddie Vedder juntou-se a Stone, Jeff e Mike por meio de Jack Irons, que posteriormente viria a ser o baterista do Pearl Jam no período entre 1994 e 1998. Irons enviou, após audição dos intrumentais de Stone e grupo (tocados com a ajuda de Matt Cameron, baterista do Soundgarden e do Temple of the Dog), um fita demo para Eddie Vedder. Os grooves cheios de energia e dinamismo de Stone inspiraram Eddie a compor as letras (todas no mesmo dia) para os três instrumentais contidos na fita (Eddie tinha as três letras na cabeça depois de uma tarde surfando). Tornaram-se assim as músicas que futuramente fariam-se sucesso na banda sendo duas do álbum "Ten": Alive, Once e Footsteps, esta lançada no single Jeremy. O que mais impressionou Stone e os outros foi o fato de que as letras que retornaram cantadas no canal sobressalente da fita eram marcantes, fortes e instigantes. E extremamente pessoais, cantadas por Eddie com extrema paixão, convicção, num modo tocantemente ligado ao cantar das letras; em ocasiões sussurando; por vezes cantando-as como se saíssem das visceras, do fundo de seu coração. Falavam de temas psicológicos envolvendo traumas familiares, conseqüências desses conflitos e a ausência da figura paterna. Alive fala do garoto que descobre, pela sua mãe, que seu pai verdadeiro não era o que conhecia. Que toda a sua vida o homem que acreditara ser seu pai (e há razões para acreditar que esse pai não o tratava muito bem) não era seu verdadeiro pai. A perturbação psicológica e o comportamento homicida manifestaram-se em Once, sua continuação. Em Footsteps temos o rapaz, já mais crescido, na cela de uma cadeia, completando a mini-ópera de Vedder. O tema é todo tocante e as interpretações as mais diversas. Fato é que essas canções permitiram que os rapazes montassem uma das mais importantes bandas do Rock and roll. A essas três canções, Eddie Vedder deu o título de Mamasan Trilogy.


De onde surgiu esse nome?

No outono de 1990, surgiu o Mookie Blaylock que em novembro do mesmo ano viria a chamar-se Pearl Jam, nome sugerido por Vedder, que, numa brincadeira, disse ser uma homenagem a uma suposta geléia com poderes alucinógenos que sua avó (chamada Pearl) fazia. O significado mais provável, entretanto, é vindo do baixista da banda, Jeff Ament, segundo ele esse nome teria surgido depois dele assistir uma apresentação das bandas Sonic Youth e Crazy Horse, sem nenhuma relação com geléias ou coisas do tipo.
No DVD Immagine In Cornice, Eddie Vedder diz a um italiano para o qual discursava sobre o tipo de música que tocavam que não sabe o que o nome Pearl Jam significa ("I don't know what it means", em suas próprias palavras.).


1991: Ten e sua repercussão

O primeiro álbum do grupo, Ten (número da camisa de Mookie Blaylock no time de basquete New Jersey Nets), saiu em 23 de agosto de 1991 e é considerado um dos melhores álbuns do grunge, e do rock em geral nos últimos tempos. Possui canções belas e inesquecíveis como Alive (o grande sucesso radiofônico do disco, que levou o Pearl Jam a ser conhecido nos quatro cantos do mundo), Oceans, Black e Release, outras pesadas e raivosas típicas do grunge, como Once e Why Go, além de outras excelentes por si só, como Jeremy (outro grande sucesso radiofônico, cuja letra trata de um garoto de que Vedder tinha ouvido falar, que havia cometido suicidio numa sala de aulas de uma escola americana), Porch e Even Flow. Com a excessiva execução desse disco nas rádios e MTVs, a banda vai ficando bastante conhecida ? logo Vedder começaria a sentir o peso desse sucesso ?, e o álbum chega assim ao Top Ten americano. A banda ganha o prêmio de Video of the Year da MTV, com o clipe de Jeremy, que muitos consideravam apelativo, além de vários outros prêmios. O destaque final fica por conta das emotivas letras escritas por Vedder, responsáveis em parte pela sintonia imediata do público com a banda. Ele costuma dizer que suas letras são para serem interpretadas por cada um como bem entender, podendo até gerar interpretações distintas dependendo do ouvinte.
Em 16 de outubro de 1991, o baterista Dave Abbruzzese substituiu Dave Krusen, que, segundo consta, preferiu juntar-se à banda do programa "Saturday Night Live" (mal sabia ele que o Pearl Jam se tornaria um caso sério de sucesso).
Em 1992, a banda participa do filme Singles (Vida de Solteiro no Brasil), do diretor americano Cameron Crowe. Nesse filme, é feito um retrato da geração grunge de Seattle e várias bandas da cidade aparecem tocando, como por exemplo, o Alice in Chains. Alguns dos membros do Pearl Jam fazem parte da banda de Matt Dillon, chamada Citizen Dick, sendo que Vedder é o baterista.
A banda participa ainda de um mini-acústico para a MTV, em que eles tocam algumas canções do primeiro disco, além de uma música que saiu na trilha sonora do filme Singles (chamada State of Love and Trust, e que tinha o estilo de Ten) e uma música cover de Neil Young, chamada Rockin? in the Free World (que a banda também tocou e toca até hoje em vários concertos).
Nessa apresentação, Vedder protagoniza um show particular ao final, quando sobe no banquinho em que estava sentado e com uma caneta escreve vários slogans em seu corpo, em particular, alguns a favor de um instituição ambiental chamada Earth First (ele possui uma tatuagem em sua perna com o logotipo dessa instituição, de que é sócio).


1993: Vs.

O grupo volta ao estúdio para gravar o seu segundo disco. Vs. foi lançado em 8 de outubro de 1993 e chegou ao primeiro lugar de vendagens em tempo recorde: 24 horas. Só na primeira semana, o disco vendeu mais de 950 mil unidades, quebrando com folga um recorde que antes era do Guns n' Roses. A principio, ele iria se chamar 5 Against 1, mas, na última hora, a banda resolveu chamá-lo simplesmente de Vs. (aliás, esse título não está escrito em nenhum lugar do CD, a exemplo do que fez o Led Zeppelin em seu quarto disco).
A banda mostra definitivamente que pode ir além do que faz a maioria das bandas grunges, que nessa época já estavam fazendo muito sucesso. Possui excelentes canções como Animal, Daughter, Elderly Woman Behind a Counter in a Small Town, Rearviewmirror, WMA, Leash e Indifference. Cada canção transborda de sentimento e garra, mostrando uma banda bem entrosada.
Mas nem tudo são flores: Vedder experimenta cada vez mais o que é ser um rock star, e isso o incomoda. Mas a banda não diminui o ritmo intenso. Ainda em 1993, Eddie participa de um show no Rock and Roll Hall of Fame ao lado dos ex-membros do The Doors, Ray Manzarek, John Densmore e Robby Krieger. Lá, eles cantam três músicas do inesquecível grupo de Los Angeles: Roadhouse Blues, Break on Through e Light My Fire. Para fechar o ano, a banda aparece numa apresentação para o MTV Music Video Awards, para tocar a nova música Animal e com Neil Young no palco para a última música, Rockin? in the Free World.
Em março de 1994, o grupo começou uma dura batalha com a Ticketmaster, a maior empresa de ingressos dos EUA. A banda pretendia baratear o preço das entradas dos seus shows de verão, já que os preços eram estipulados pela empresa, que ficava com a maior parte dos lucros. Sem conseguir encontrar lugares que não tivessem contratos exclusivos com a Ticketmaster e sem apoio efectivo dos outros grupos musicais, o Pearl Jam foi obrigado a cancelar a excursão.


1994: Vitalogy

O terceiro álbum do Pearl Jam, Vitalogy, foi lançado em 6 de dezembro de 1994. O álbum saiu primeiramente numa edição especial de vinil, passando a ser comercializado também em CD e cassete apenas duas semanas depois. Esse disco mostra um Pearl Jam ainda criativo e contagiante, com Vedder escrevendo ótimas letras e criando excelentes melodias e os instrumentistas bem afiados e mostrando muita garra (além de uma boa dose de experimentalismos, como nas faixas Bugs, Pry To, Aye Davanita e a estranhíssima última faixa, Stupid Mop). Algumas músicas que se destacam são Last Exit, Spin the Black Circle (uma das músicas com maior sonoridade punk do Pearl Jam ? o título é uma referência ao fato de Vitalogy ter sido também lançado em vinil), Whipping (composta originalmente para sair no disco Vs), Better Man (que Vedder compôs nos tempos de Bad Radio), a belíssima Corduroy e a balada Immortality (que a banda insiste em afirmar que não é uma homenagem a Kurt Cobain).
Dave Abbruzzese é demitido, segundo consta, por ter um modo diferente de encarar a fama e o sucesso em relação aos outros integrantes da banda e, em janeiro do ano seguinte, a banda anuncia oficialmente que Jack Irons (ex Red Hot Chili Peppers e Eleven) assume as baquetas no Pearl Jam, durante a transmissão do Monkey Wrench Radio Special. O programa de rádio contou ainda com Dave Grohl, Krist Novoselic, Soundgarden e Mudhoney.
A essa altura, Vs. já tinha seis discos de platina, Ten, nove e Vitalogy, cinco. No mesmo ano, o Pearl Jam excursiona com Neil Young. A turnê rende Mirrorball, disco solo do roqueiro, mas também Merkinball, composto pelas músicas I Got ID e Long Road. Em fevereiro de 1996, o Pearl Jam ganha seu primeiro Grammy, na categoria Melhor Performance de Hard Rock por Spin the Black Circle.


1995: Mirrorball

Na metade de 1995, a situação entre os membros da banda volta a ficar delicada, após um show em San Francisco, em que Eddie deixa o palco após a sétima música, alegando estar debilitado fisicamente por causa de algo que comera no hotel. Neil Young, que estava com a banda se preparando para divulgar Mirrorball, gentilmente termina o show no lugar de Eddie, mas sem evitar que a banda ficasse incomodada com seu vocalista. Eles decidem se separar por algum tempo, para descansar e tentar temporariamente levar uma vida normal, cancelando assim os próximos shows agendados.
Isso não ocorre. Os membros da banda aparentemente não conseguiram ficar longe da música e do Pearl Jam em si. Eles voltaram a se reunir uma semana após a separação e, depois de fazer as pazes e traçar novos objetivos, voltam à turnê que fora brevemente interrompida.


1996: No Code

Em 1996, voltam ao estúdio e, em agosto do mesmo ano, lançam No Code, que pode ser considerado um marco na carreira da banda. É o disco mais eclético e variado do quinteto, no que diz respeito a influências, sonoridades e estilos. Possui excelentes músicas, como In My Tree (com uma batida tribal empolgante, parecida com a música WMA, do disco Vs., que já mostrava como a banda podia variar em suas músicas), Hail, Hail, Red Mosquito, Lukin (homenagem a Matt Lukin, então baixista do Mudhoney), a magnífica Present Tense (segundo algumas pessoas, o nome seria uma homenagem ao guitarrista Pete Townshend, da banda The Who), Smile, Who You Are.
A banda continua com sua política de não divulgar o álbum comercialmente pelos meios normais, nem lançando vídeos pela MTV (a banda só os fez para o disco Ten) nem dando entrevistas e nem se apresentando em programas de TV. A imprensa em geral, naturalmente, continua a boicotá-los, mas a banda não se comove e continua a fazer aquilo em que acredita. Enquanto a imprensa detona o quinteto (e principalmente Eddie Vedder), vários artistas os defendem, entre eles Michael Stipe, do REM, e Courtney Love, do Hole, dando assim mais credibilidade à banda e fazendo com que os fiéis e verdadeiros fãs do Pearl Jam continuem a segui-los.
Obviamente, No Code não foi um retumbante sucesso comercial, mas mesmo assim vendeu bem, e a banda parte para um nova turnê de quase dois anos, sempre com bons públicos. É importante dizer também que o grupo perdeu um pequena parcela de fãs antigos, que gostavam mais da época grunge do quinteto, com suas músicas raivosas e pesadas, mas mesmo assim o Pearl Jam continuou a ser uma das bandas mais conhecidas do mundo.


1998: Yield e Live on Two Legs

Depois da extensa turnê de divulgação, o Pearl Jam volta ao estúdio e passa o resto de 1997 trabalhando em novo material. O resultado, lançado em fevereiro de 1998, é chamado de Yield. Boas críticas e vendagens relativamente boas também marcam esse lançamento, mas sem a euforia que marcou os dois primeiros discos da banda, na época em que eles eram os principais destaques da MTV e do rádio.
Esse disco é bem parecido com No Code: mostra a banda mais madura e competente nas suas composições e arranjos instrumentais, com músicas mais voltadas ao Rock 'n roll normal, livrando-se definitivamente do estigma de banda grunge. São vários os destaques do disco, como Brain of J, Do the Evolution, Faithfull, Given to Fly (que tem uma levada muito parecida com Going to California do Led Zeppelin), In Hiding e MFC. Nesse disco, a banda volta atrás em uma das atitudes da postura anticomercial levada a cabo por eles, aquela mais afetou os fãs (e por isso mesmo eles acabaram cedendo): a não produção de clipes. Eles fazem um vídeo para a faixa Do the Evolution. Todo feito em desenho animado, produzido por Todd McFarlane, criador do personagem de revistas em quadrinhos e cinema Spawn, o clipe é transmitido exaustivamente pela MTV ao redor do mundo.
Depois do lançamento do álbum, Irons sai da banda por problemas de saúde, e Matt Cameron (que havia ficado sem banda depois do fim do Soundgarden) assume as baquetas. Ainda em 1998, dois novos lançamentos da banda: o vídeo Single Video Theory, onde a banda aparece tocando músicas do último álbum, e o primeiro disco ao vivo do grupo, Live On Two Legs (o título é uma referência a Death On Two Legs, primeira música do clássico álbum A Night at the Opera, do Queen). Nesse álbum, a banda aparece tocando músicas de todos os seus cinco discos e fecha com mais um cover de Neil Young, Fuckin? Up.


1999: Postura solidária e single Last Kiss

No ano de 1999, o Pearl Jam participou de um disco em benefício das vítimas da guerra de Kosovo, chamado No Boundaries (no Brasil, Sem Fronteiras). O grupo aparece com as músicas Last Kiss e Soldier of Love. A primeira é uma balada, que na verdade não é do Pearl Jam, mas, sim, de um cantor dos anos 60, Wayne Cochran; o Pearl Jam apenas regravou a música quase quatro décadas depois, e ela sem querer se transformou no single de maior sucesso da banda.


2000: Binaural

Ainda em 1999, o Pearl Jam volta a trabalhar na gravação de um novo disco, o sexto de estúdio. O resultado é lançado em maio de 2000 e chama-se Binaural. Produzido por Tchad Blake e mixado por Brendan O 'Brian, Binaural pode ser comparado com Yield e No Code, por mostrar a banda mais contida, sem o peso e a agressividade de antigamente, mas ainda com muita criatividade e competência, sendo visível a maturidade das composições e melodias criadas pelo quinteto. Destaque para as músicas God's Dice, Nothing As It Seems (primeiro single do álbum, considerada por Mike a melhor composição da banda), Light Years, Soon Forget (apenas Eddie na voz e ukelele), Sleight of Hand e Grievance. A produção de Binaural realça em algumas músicas uma atmosfera meio depressiva e pesada, como em Nothing As It Seems e Sleight of Hand. As letras foram feitas por Stone Gossard, Eddie Vedder e Jeff Ament, diferente de antigamente, quando Vedder era o letrista quase que exclusivo. Vale destacar que o grupo continua a distribuir os seus álbuns em caixinhas especiais (isso acontece desde o terceiro disco, Vitalogy), para evitar que o trabalho chegue mais caro às lojas devido à tradicional caixinha de plástico que é produzida por uma única empresa nos EUA. Outra novidade é o lançamento de diversos "bootlegs oficiais": são discos contendo gravações de concertos da banda ao redor do mundo, por preços mais acessíveis.
No mesmo ano, uma tragédia marcou o grupo: durante sua apresentação no Roskilde, na Dinamarca, nove pessoas morreram esmagadas. Abalada, a banda decidiu que não tocaria em festivais ou em frente de grandes platéias por um período. Entre os concertos da banda naquele ano, este foi o único que não constou dos 72 "bootlegs oficiais".


2002: Riot Act

Em 2002, a banda volta ao estúdio para gravar seu sétimo disco, ao lado do produtor de Adam Kasper. Em outubro sai o primeiro single, para a música I am Mine, e no mês seguinte é lançado Riot Act. A banda volta a apresentar também um clipe, para a canção I am Mine (o último tinha sido para Do the Evolution do disco Yield), além de anunciar que pretende novamente lançar os "bootlegs oficiais", a exemplo da turnê do disco anterior.


2003: Lost Dogs e Live at the Garden

Em 2003, os lançamentos da banda foram a coletânea de b-sides Lost Dogs e o DVD Pearl Jam at the Garden, que traz uma apresentação do quinteto em Nova York (sexteto, se contarmos o tecladista Boom Gaspar), com participações especiais de Ben Harper, Steve Diggle e Tony Barber. Até aquele momento, o grupo já havia lançado dois vídeos: Touring Band, que traz a banda em ação durante a turnê de Binaural, além do já citado Single Video Theory, que traz os bastidores das gravações do disco Yield. Outro fato importante de 2003 foi o fim do contrato com a Epic, que lançara todos os discos do grupo até então.


2004: Live at Benaroya Hall

Em 2004, a banda lança o disco duplo Live at Benaroya Hall, que traz uma performance acústica da banda realizada em outubro de 2003, em prol da organização beneficente Youth Care. No show, a banda apresenta uma música inédita, Man of the Hour, da trilha sonora do então recém-lançado filme Big Fish, do diretor Tim Burton. O show ainda conta com interpretações de dois grandes sucessos da banda, Immortality e Crazy Mary, esta com destaque para o solo de teclados de Boom Gaspar.


2006: Pearl Jam

Em 2 de maio de 2006, a banda lançou Pearl Jam. O álbum, auto-intitulado, traz como destaque o excelente trabalho de guitarras de Gossard e McCready. O discurso do álbum, ao longo de suas 13 faixas, é na sua maioria antiguerra, criticando severamente, à semelhança de Riot Act, o governo de George W. Bush. O single World Wide Suicide foi disponibilizado meses antes do lançamento oficial do álbum de forma gratuita no site oficial da banda.
Pearl Jam foi o primeiro trabalho da banda fora da Epic. Quando perguntado sobre a simplicidade do nome do álbum, Eddie respondeu: "Há tanta informação nas canções e nas letras, que dá a sensação que mais um título seria pretensão demais." O primeiro single do álbum foi World Wide Suicide, e Inside Job foi a primeira letra de McCready a entrar em um álbum da banda. Como forma de divulgação do álbum, a banda tocou duas músicas do novo álbum (World Wide Suicide e Severed Hand) no humorístico Saturday Night Live. Fazia doze anos desde a última apresentação da banda no programa.
Entre 2006 e 2007 a banda realizou várias turnês pelos Estados Unidos e Europa para promover o álbum Pearl Jam. Em 2007 lançou o DVD Live in Cornice, relativo aos espectáculos da banda em 2006 na Itália. No inicio de 2008 Eddie Vedder realizou uma turné pelos Estados Unidos dando a conhecer o seu trabalho no projecto Into the Wild. No mesmo ano a banda começou também a sua turnê em solo norte-americano com doze concertos marcados, acabando por dar treze. Foi anunciado antes do inicio da turnê que todos os concertos iriam ser colocados a venda fazendo da banda recordista em discos ao vivo, sendo que algumas músicas de cada concerto seriam também disponibilizadas para telemóvel. Também em 2008 foi confirmado por Mike McCready que a banda está a preparar um novo álbum, voltando a ter Brendan O'Brien como produtor.


2009: Backspacer

Em setembro de 2009 a banda lançou o seu nono álbum de originais, intitulado Backspacer, que alcançou o 1º lugar na Billboard Top 200 vendendo aproxiamadamente 175 mil cópias na primeira semana de vendas, produzido por Brendan O'Brien, que já havia produzido Yield, de 1998. O primeiro single deste álbum teve o nome de The Fixer e foi lançado em agosto. No entanto, a primeira música a ser apresentada em público foi Got Some, tocada em directo no Tonight Show de Conan O'Brien. O álbum será lançado sem editora nos Estados Unidos, sendo distribuído no resto do mundo pela Universal Music Group.


Concertos


Brasil
  • 28 de novembro de 2005, em Porto Alegre
  • 30 de novembro de 2005, em Curitiba
  • 2 e 3 de dezembro de 2005, no Pacaembu, em São Paulo
  • 4 de dezembro de 2005, na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro


Portugal
  • 24 e 25 de novembro de 1996, em Cascais
  • 23 de maio de 2000, no Estádio do Restelo, em Lisboa
  • 4 e 5 de setembro de 2006, no Pavilhão Atlântico em Lisboa
  • 8 de junho de 2007, no Oeiras Alive!, em Oeiras.


Discografia


Álbuns de estúdio
  • Ten (1991)
  • Vs. (1993)
  • Vitalogy (1994)
  • No Code (1996)
  • Yield (1998)
  • Binaural (2000)
  • Riot Act (2002)
  • Pearl Jam (2006)
  • Backspacer (2009)

Notas


Ligações externas
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Pearl Jam

  • PearlJam.com Sítio oficial da banda
    (em inglês)





Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pearl_Jam
http://dyingdays.net/bands/view/pearl_jam/biography

Músicas Pearl Jam