Biografia - Zico e Zeca

Irmãos de Liu e Léu e primos de Vieira e Vieirinha - filhos de Gabriel e Maria Rosa Paulino, que tiveram 13 filhos, entre eles, Zico - Antônio Bernardo da Costa - nascido em 1930 - e Zeca - Domingos Paulino da Costa - nascido em 1932 - segundo Assis Ângelo - começaram a cantar ainda meninos, apresentando-se em circos, festas e quermesses de Itajobi - SP. Em 1947, cantaram na Rádio Novo Horizonte de Itajobi. Em 1952, foram para São Paulo, recebendo apoio de Serrinha (parceiro de Serrinha e Caboclinho), que lhes arranjou instrumentos novos. Em 1953, participaram do programa “Serra da Mantiqueira”, comandado por Sílvio Mota. No mesmo programa foi realizado um concurso popular que escolheu os nomes para a dupla. Logo depois foram procurados por uma marca de conhaque que desejava um programa com uma dupla exclusiva. Conseguiram rapidamente o que muitos artistas levam anos para obter, um contrato de patrocínio para um programa exclusivo: “Palhinha ao Sertão”. O compositor Teddy Vieira, que era observador de novos talentos, levou-os para a gravadora Colúmbia. Em 1954, gravaram o primeiro disco interpretando o cururu “Pracinha”, de Teddy Vieira e Serrinha, e a moda de viola “Besta Bailarina”, de Teddy Vieira e Capitão Barduíno. E, como toda música que faz sucesso, tempos depois esta mesma música também teve uma versão contrária, não de paródia, mas chamada de resposta até no nome: “Resposta da Besta Bailarinha”, também gravada pelos próprios Zico e Zeca. Em seguida,gravaram com sucesso a fábula “A enxada e a caneta”, de Teddy Vieira e Capitão Barduíno, e “Capelinha do Chico Mineiro”, toada de Teddy Vieira e Biguá. Em 1957, gravaram dois de seus grandes sucessos, o bolero “Cabecinha de Vento”, de Bolinha e Brioso, e a guarânia “Prisioneira”, de Bolinha e Zé do Rancho - E Bolinha, entre outros sucessos compôs também “Boneca Cobiçada” que esta, dupla, infelizmente não chegou a gravar. Em 1959, gravaram a toada “Luar do sertão”, de Catulo da Paixão Cearense. Em 1960 gravaram na Sertanejo o rasqueado “Arrependimento”, de Sebastião Vitor e Tuta e a guarânia “Luz Vermelha” de Benedito Seviero e Tião Carreiro. Em 1961 gravaram a canção rancheira “Meu Destino”, de Luiz de Castro e o tango “Deusa da Madrugada”, de Benedito Seviero e Sebastião Vitor. Em 1963 gravaram o rasqueado “Engano do carteiro”, que foi a primeira composição gravada de autoria de Léo Canhoto - que na virada de 60/70 formaria dupla com Robertinho - e a valsa “Querer Bem”, de Zico e Tuta. Tuta ao lado de Tota, teve por muito anos, às 5:00 da manha de Domingo, um programa na Rádio Bandeirantes, apresentado por Muíbo César Cury, Nascim Filho. E Muíbo César Cury em parceria com Teddy Vieira, fizaram o grande sucesso: “João de Barro”, gravado também por Zico e Zeca. Em 1964, estes, gravaram o arrasta-pé “Não Vá Embora”, de Tuta e Zico e o valseado “Prima Porfíria”, de Nízio e José Russo. Em 1967, venceram o Festival de Música Sertaneja promovido pelas Organizações Globo e transmitido pelo Canal 5 de São Paulo, com a música “Catira”, de José Di e Michel. Em 1968, gravaram, entre outras, a moda de viola “Velho Peão”, de Sulino, parceiro de Marueiro, e Moacyr dos Santos, as valsas “Querer bem”, de Zico e Tuta, e “Dona Jandira”, de Zico, Zeca e Teddy Vieira. Esta última composição foi um dos maiores sucessos da dupla e acabou-se transformando em peça de teatro, além ter sido, por um bom tempo, a faixa que abria o programa semanal da dupla na antiga Rádio Nacional paulista, atual Rádio Globo, sob a apresentação da voz radiofônica-padrão de Edgar de Souza, o inesquecível baiano, torcedor do Santos, que apresentava várias duplas sertanejas todos os dias da semana, naquela emissora, na década de sessenta. Zico e Zeca, gravaram ainda a “Toada”, de Paulo Sérgio e Tony Damito, “Adeus Pelé da seleção”, de Edward e Zico, e “Só tenho uma viola”, de Lourival dos Santos e Zeca. Em 1980, a dupla apresentou-se na primeira edição do programa “Viola, Minha Viola”, que estreava na TV Cultura de São Paulo, comandado, inicialmente, por Morais Sarmento, depois em parceria com Inezita Barroso. Na ocasião, interpretaram “Sertão do Larnjinha” e “Boiadeiro Errante”, de Teddy Vieira. Pouco depois, a dupla se afastou das atividades artísticas, retornando aos shows apenas em 1998. Em junho de 2006, apresentaram-se no programa “Viola, Minha Viola”, cantando a música “Menina Graciosa”, de Zeca e Zé Matão e “Botãozinho de rosa”, de Serrinha, mostando pleno vigor de interpretação. A dupla foi interrompida em 30 de maio de 2007, com a morte inesperada de Zico aos 86 anos. O cantor permaneceu em coma no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto por três semanas, após cair de um palco e bater com a cabeça, sofrendo traumatismo craniano, no final de um show em Santa Rita do Passa Quatro, (SP). Passou por cirurgia para retirada de coágulo na cabeça, mas entrou em coma, ficando assim, até a morte. Seu corpo foi velado na cidade natal de Itajobi, a 20 km de Catanduva, onde foi sepultado, com homenagens de toda a cidade que esteve presente, além de violeiros como Pedro Bento e Zé da Estrada, Abel e Caim, Lourenço e Lourival, Divino e Donizeti, Mococa e Paraíso, e Luiz Faria e Silva Neto, de Campinas. Os violeiros cantaram, ao lado do caixão, grande sucesso da dupla Zico e Zeca, “Dona Felicidade”. Esta última, além espelhar o brilhantismo de Teddy Vieira na composição de músicas sertanejas, mostra um par de vozes privilegiadas, que foram os irmãos Zico e Zeca na execução perfeita desta verdadeira obra-prima, além de outras, antes e depois, do mesmo trio. A cantora e apresentadora Inezita Barroso prestou homenagem a Zico, em 29 de julho do mesmo ano, exatamente após 1 mês do seu falecimento, através de seu programa na TV Cultura de São Paulo, o “Viola, minha viola”, reapresentando a edição em que Zico e Zeca fizeram um especial juntos com seus outros irmãos Liu e Léu. Nessa edição, apresentada como homenagem à família Paulino da Costa, além de cantar sucessos do cancioneiro sertanejo, os quatro cantores irmãos integraram e alternaram suas vozes ao interpretarem hits do cancioneiro caipira como “Caminheiro”, de Jack; “João ninguém”, de Luis de Castro e Benedito Seviero; “Ecologia”, de Luis de Castro e o “Ipê e o Prisioneiro”, de José Fortuna e Paraíso, “Dona Jandira” de Zico e Zeca, entre outros, e encerraram o programa apresentando um show de catira em que os quatro dançaram juntos. O programa fez 1 minuto de silêncio mostrando imagens de Zico e da dupla. Além das próprias qualidades, Zico e Zeca contaram, entre outros, com o apoio especial de Teddy Vieira, que foi um dos principais parceiros da dupla em várias composições, que transformaram em belas páginas que fizeram destes irmãos, pelo apelo de mídia e repercurssão que tiveram, principalmente na década de sessenta, auge da dupla, uma das duplas sertanejas de maior sucesso no Brasil.

Músicas Zico e Zeca

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