Jesus Não Tem Dentes No Pais Dos Banguelas

13 faixas

Lançamento: 1987
Jesus Não Tem Dentes No Pais Dos Banguelas
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Informações: Jesus Não Tem Dentes No Pais Dos Banguelas

Jesus não Tem Dentes no País dos Banguelas é o quarto álbum de estúdio da banda brasileira de rock Titãs, lançado em 1987 pelo selo WEA. Bem como seu predecessor, Cabeça Dinossauro, foi produzido por Liminha e teve o uso de experimentações com música eletrônica. Sua gravação ocorreu no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro, e durou pouco mais de dois meses. Embora com influências do funk rock, o disco não perdeu seu cunho social, tratando apenas de problemáticas diferentes das abordadas por seu antecessor.

Foi lançado em 1987, com divulgação no festival Hollywood Rock do ano seguinte, aumentando consideravelmente a popularidade da banda. Músicas como "Lugar Nenhum", "Nome aos Bois" e principalmente "Comida", que serviu de lema para protestos estudantis alcançaram notoriedade junto ao público. O disco foi um sucesso de vendas e crítica na época, e é considerado um dos melhores e mais importantes álbuns dos Titãs, sendo certificado com disco de platina duplo pela Associação Brasileira de Produtores de Disco em 1994. Em 2011, a obra foi relançada e disponibilizada para download digital no ano seguinte.


Antecedentes e produção
O último disco lançado pela banda havia sido Cabeça Dinossauro, um sucesso comercial e de público, considerado um marco do rock brasileiro.[2][3][4][5] Ainda em meio ao sucesso do álbum anterior, "Lugar Nenhum", que integraria Jesus não Tem Dentes no País dos Banguelas, foi lançado nas rádios em outubro de 1987.[2]

Os Titãs já tinham as músicas do disco prontas, porém aguardavam a volta do produtor Liminha, que estava em Londres trabalhando com a banda Sigue Sigue Sputnik, para começarem os trabalhos em estúdio em 20 de agosto.[6] As gravações do disco começaram em meio a turnê de seu predecessor,[5] ocorrendo no estúdio Nas Nuvens.[7] Em 24 de outubro, sua mixagem havia sido concluída e o projeto foi enviado imediatamente para o corte no estúdio Town House, em Londres.[8][9]

Lançamento e divulgação
O lançamento do disco ocorreu em 23 de novembro de 1987.[7][10] No entanto, apenas no ano seguinte, na primeira edição do festival Hollywood Rock, a banda apresentou o álbum ao público. Os Titãs tocaram as faixas de Jesus não Tem Dentes no País dos Banguelas na Praça da Apoteose, em 6 de janeiro,[7] e no Estadio do Morumbi em 13 de janeiro.[11] A apresentação de lançamento do disco foi considerada pelo Jornal do Brasil como a melhor do evento, enquanto a Folha de S. Paulo considerou-o um "marco para o rock brasileiro". Nessa época, a popularidade dos Titãs aumentaram exponencialmente. Foi classificada como uma "titãmania" pela revista IstoÉ a fase vivida pela banda, que fazia mais shows do que os integrantes desejavam, segundo Arnaldo Antunes.[12] Em 19 de fevereiro de 1988, o grupo fez um show de lançamento oficial do seu quarto LP, no Projeto SP, dando início a uma turnê nacional para divulgar Jesus não Tem Dentes no País dos Banguelas.[13]

Estilo e temas
"No Cabeça Dinossauro, vocês demoliram com os cinco pilares da ordem social, a polícia, o Estado, a Igreja, a família e o capitalismo selvagem. Agora chegou a hora de vocês começarem a demolir as coisas de dentro. [...] Os Titãs é o que restou do rock, suas letras são o que restou de um país falido, um vice-país, vice-governado, vice-feliz, vice-versa."

— Paulo Leminski no release distribuído a imprensa[7]
As diferenças entre este álbum e Cabeça Dinossauro, segundo Arnaldo Antunes, era que este tinha "o dado eletrônico, a bateria eletrônica, a programação".[2] O cantor se referia ao uso de batidas eletrônicas e sintetizadores, que também foram utilizados no seu trabalho seguinte, Õ Blésq Blom.[14] "Sgt. Peppers dos Titãs" foi como o álbum foi descrito por Luciano Borges da Folha de S. Paulo.[15] No entanto, mesmo com a mistura de música eletrônica, o álbum teve uma sonoridade pesada tal qual seu antecessor.[16] Embora não haja demarcação de lado um e lado dois no LP, o disco foi caracterizado por ter dois lados com sonoridades opostas: o primeiro tem predomínio da batida funk, enquanto o outro "é mais rock."[17]

O disco foi qualificado como "difícil de entender", pois, segundo André Singer da Folha de S. Paulo, "talvez porque não seja um disco para dançar, nem só para vender e nem só protestar".[17] Mario Cesar Carvalho, escrevendo para o mesmo jornal, notou que, diferente do disco anterior, este tratava de problemas ligados ao cotidiano, como o amor, a comida, a diversão, a desordem e a mentira. No entanto, notou os "ares de manifesto" em "Comida", declarando que o disco "é mais uma listagem poética de reivindicações urgentes".[10]

Recepção e legado
Críticas profissionais
Avaliações da crítica
Fonte
Avaliação
Allmusic
3 de 5 estrelas.[1]
O disco foi bem recebido pela crítica.[16] Ele expandiu os horizontes do "claustrofóbico Cabeça Dinossauro", segundo Arthur Dapieve, que diz que a sofisticação dos arranjos e das letras não ocasionou em uma diminuição da agressividade da banda.[7] Eduardo Rivadavia do Allmusic disse que, se tratando das críticas sociais e das estruturas não convencionais das canções, o disco superou as expectativas. Por outro lado, ele comentou que sua abrasividade calculada ficou "muito aquém" de replicar a "genialidade" do disco anterior.[1] Devido a utilização de efeitos digitais e música eletrônica, Luciano Borges, também da Folha chamou este de "o LP nacional mais inventivo de 87."[15] Escrevendo para o Jornal do Brasil, Luiz Carlos Mansur disse que o álbum podia ser considerado "o melhor disco produzido no Brasil em 1987".[7]

É considerado como um dos melhores e mais importantes trabalhos dos Titãs, que estava "em seu auge criativo e de popularidade", de acordo com o Estado de S. Paulo. O mesmo jornal disse que Cabeça Dinossauro, este disco e Õ Blésq Blom "formam a melhor sequência de trabalhos da banda", enquanto a revista IstoÉ considera ele e seu antecessor "divisores de águas na carreira dos Titãs e do próprio rock nacional."[18][19][20] Por outro lado, André Forastieri da Folha de S. Paulo considerou que o LP "pecava pela irregularidade e soava como um remake de Cabeça [Dinossauro]".[21]

O projeto vendeu mais de 250 mil cópias,[7] popularizando diversas canções do álbum, dentre elas "Lugar Nenhum" e "Nome aos Bois".[4] No entanto, nenhuma delas se tornou tão popular quanto a segunda faixa do disco, "Comida",[22] que se tornou um lema bastante utilizado em protestos estudantis da década de 1980.[7] Em 1994, o álbum foi certificado com disco de platina duplo pela Associação Brasileira de Produtores de Disco.[23]

Em janeiro de 2011, a Polysom relançou o álbum no formato disco de vinil de 180 gramas.[18] O trabalho também foi incluído no catálogo da banda no iTunes, em 2012, para a comemoração de 30 anos da banda.[24] Para o mesmo propósito, Tony Belloto considerou a possibilidade de relançar Jesus não Tem Dentes no País dos Banguelas, mas com a adição de material inédito.[25]

Faixas
N.º
Título
Compositor(es)
Vocais principais
Duração

1.
"Todo Mundo Quer Amor"
Arnaldo Antunes
Arnaldo Antunes
1:18
2.
"Comida"
Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer, Sérgio Britto
Arnaldo Antunes
3:59
3.
"O Inimigo"
Branco Mello, Marcelo Fromer, Tony Bellotto
Branco Mello
2:13
4.
"Corações e Mentes"
Marcelo Fromer, Sérgio Britto
Sérgio Britto
3:47
5.
"Diversão"
Nando Reis, Sérgio Britto
Paulo Miklos
5:05
6.
"Infelizmente"
Sérgio Britto
Sérgio Britto
1:33
7.
"Jesus não Tem Dentes no País dos Banguelas"
Marcelo Fromer, Nando Reis
Nando Reis
2:11
8.
"Mentiras"
Marcelo Fromer, Sérgio Britto, Tony Bellotto
Paulo Miklos
2:09
9.
"Desordem"
Charles Gavin, Marcelo Fromer, Sérgio Britto
Sérgio Britto
4:01
10.
"Lugar Nenhum"
Arnaldo Antunes, Charles Gavin, Marcelo Fromer, Sérgio Britto, Tony Bellotto
Arnaldo Antunes
2:56
11.
"Armas pra Lutar"
Arnaldo Antunes, Branco Mello, Marcelo Fromer, Tony Bellotto
Branco Mello
2:10
12.
"Nome aos Bois"
Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer, Nando Reis, Tony Bellotto
Nando Reis
2:06
[Expandir]Faixas bônus da edição em CD

Ficha técnica
Banda
Arnaldo Antunes: voz
Branco Mello: voz
Charles Gavin: bateria e percussão
Marcelo Fromer: guitarra
Nando Reis: baixo e voz
Paulo Miklos: voz
Sérgio Britto: teclados e voz
Tony Bellotto: guitarra
Músico convidado
Liminha: máquina de ritmos em "Diversão", baixo sintetizador e guitarra em "Comida"; violão em "Desordem"
Pessoal técnico
Produzido por Liminha
Direção artística: Liminha
Gravado e mixado "Nas Nuvens" (Rio de Janeiro)
Engenheiros de gravação: Vitor Farias e Paulo Junqueiro
Mixagem: Paulo Junqueiro e Liminha, exceto "Diversão" por Paulo Junqueiro, Vitor Farias e Liminha
Assistentes de estúdio: Antoine Midani, Mauro Bianchi e Sérgio Chatalgnier
Engenheiro de manutenção: Ricardo Garcia
Assistentes de produção: Eduardo Chermont e Adriana Hudson
Corte digital: Town House (Londres)
Capa: Sérgio Britto
Arte final e coordenação gráfica: Sílvia Panella
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